terça-feira, 6 de maio de 2014

Supermercado

Para a próxima vez que for ao supermercado vou-me lembrar de não ir despenteada, de leggins e sapatilhas. Talvez volte a encontrar 5 mães de doentes meus lá e a enfermeira da urgência. Porra, o mundo é pequeno.

C.

sexta-feira, 28 de março de 2014

E o meu fim de semana começa agora...

Acabo de preparar a mala para ir para casa e as cadelas já estão agitadas, adivinhando que vamos para casa. Tenho andado "azeda", fechada em mim e com o sono alterado. Não sei o que fazer da minha vida. Só quero que isto passe. E encontrei umas frases que amei, aqui fica:

“A consciência de uma planta no meio do Inverno não está voltada para o Verão que passou, mas para a Primavera que há-de chegar. A planta não pensa nos dias que já foram, mas nos que virão. Se as plantas estão certas de que a Primavera virá, porque será que nós – os humanos – não acreditamos que um dia seremos capazes de atingir tudo o que queremos?"
Khalil Gibran


segunda-feira, 17 de março de 2014

Repetir ou não o exame?

Estou perante a maior decisão da minha vida. Repetir ou não o exame de especialidade é a questão que tanto me atrapalha. Encontro-me perante uma altura transitória e então faltam factos, faltam leis. Como não consigo decidir, comecei a estudar enquanto trabalho. Conhecimento não ocupa lugar e entretanto decido. Enquanto isso, o meu sistema imunitário mostra a trapalhada que cá vai dentro de mim e ontem fui atacada por herpes labial, assustei-me quando me vi ao espelho com o lábio super inchado. Aqui, nas fotos tiradas durante a tarde, ainda não tinha sido atacada. Foi uma tarde na relva a relaxar com as minhas "meninas".




C.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Urgências ingratas

Pior que trabalhar 12 horas nas urgências de pediatria, não parando sequer para um café, para lanchar, para beber ou ir à casa de banho, apenas um curto almoço, é levar sempre com pessoas a mandar vir connosco. Mesmo que a urgência que levou os pais a levar a criança, afinal não seja tão urgente e que eu não tenha descansado um minuto. Talvez não entendam que tenho de me concentrar, que tenho de estar atenta e tenho que escrever, para o meu interesse e para o interesse do doente, tudo no computador. E isso leva tempo. É triste, mas às vezes passo mais tempo em frente a um ecrã do que a ver propriamente o doente. Mas  para eles, devo estar a jogar solitário porque sempre que a porta do consultório se abre espreitam para dentro e olham-me com má cara. Não entendem, que perco tempo completar histórias clínicas de doentes, a requisitar exames, a ver resultados e a internar doentes. Mas mais triste, é dar-me conta que cada vez mais as pessoas se habituaram a reclamar por tudo e por nada. Somos médicos, mas somos humanos. Chego ao fim do dia a desfalecer e ainda venho para casa fazer o jantar. 

C. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Cabelo comprido

Aquele momento em que vais à cabeleira dar um bom corte no cabelo e dizes: "Nah, nem pensar" ahaha 


C. 



terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Relaxar

Descobri que não resisto a um bom banho de imersão na banheira depois de uma urgência de 12horas. 

C. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Os malditos Domingos

Foram 6 anos de Domingos com malas. Domingos a preparar a roupa para uma semana, a encher a lancheira com sopa e arroz, a jantar cedo e a apanhar a boleia com um colega qualquer de curso. E eram Domingos que eu detestava. Domingos que me levantava tarde, trabalhava no restaurante até as 16 horas e às 20 horas estava já a caminho com a mala atrás e a dormitar. E agora o que mudou? Continuo a fazer a mala, a preparar a lancheira, a jantar cedo e inclusive a apanhar boleia. Só não atravesso a fronteira, percorro apenas 100 km ao invés de 250, e já não tenho mesada, tenho salário. Ainda levo 2 cadelas comigo que me aquecem a alma e os pés. Mas agora aos Domingos eu descanso e já me convenci, talvez a mala de Domingo ainda me acompanhe por muito tempo. 

C.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O meu salário e o futuro

Ontem, dia 21 de Janeiro, recebi o meu primeiro salário referente a ter começado a trabalhar num hospital público. Houveram cortes e mais cortes. Nós, Médicos Internos do Ano comum, também levamos com eles. Mas o que me deixa desanimada, nem é o salário que recebi, mas aquilo que me espera durante os próximos 4 a 6 anos. Na especialidade irei receber apenas mais 100€. E eu tenho 28 anos, não tenho casa, não tenho carro, não tenho filhos, ou seja...não tenho nada. Apenas 2 cadelas, que cada vez que vou ao veterinário fico "tesa", na última vez foram 93€. E porque fiquei a trabalhar fora da minha cidade, tenho uma renda para pagar, luz, água, deslocações e tudo o resto. Se agora talvez sobre pouco, não sei como será quando tiver filhos e muitas mais despesas. Espera-me muito trabalho, muito estudo e pouco dinheiro. Pergunto-me quando irei ter eu alguma coisa...

C.